Por que o Brasil é uma colônia digital dos EUA e não podemos fazer nada a respeito da invasão na Venezuela ?

Enquanto discutimos política externa em mesas de bar e no Twitter, a realidade nua e crua da infraestrutura nos lembra do nosso lugar no mundo: somos inquilinos digitais em nossa própria casa.


Fala-se muito sobre a liderança do Brasil na América do Sul e sobre nossa postura em relação à Venezuela. Mas a verdade desconfortável, que nenhum diplomata admite publicamente, é que o Brasil não tem capacidade técnica para se opor aos Estados Unidos. Não por falta de vontade política, mas por incapacidade estrutural.


O Gargalo de Miami


A soberania brasileira morre na praia. Literalmente. A vasta maioria dos dados que saem do Brasil, e-mails governamentais, transações financeiras, comunicações militares que trafegam por cabos de fibra óptica que aterrissam diretamente nos Estados Unidos.


Para a inteligência norte-americana, o Brasil é um livro aberto. Não existe “surpresa estratégica” quando o seu tráfego de rede passa pelo quintal do “inimigo”. Se quiséssemos apoiar ou defender a Venezuela (ou qualquer outro interesse nacional) contra a vontade de Washington, eles saberiam da nossa intenção antes mesmo de executarmos o primeiro comando.


A Arma do “Kill Switch”


Imagine um cenário onde o Brasil decide mobilizar tropas para a fronteira norte para garantir a soberania da região contra uma intervenção externa.
Os EUA não precisam mandar porta-aviões. Eles só precisam mandar uma atualização de software.

Nossa infraestrutura crítica, bancária e militar roda em cima de tecnologia americana (Microsoft, Cisco, Oracle, AWS). Com uma “sanção digital”, como a aplicada contra a Rússia, o Brasil pararia. Sistemas de logística falhariam, a comunicação criptografada seria revogada e o país entraria em colapso administrativo em dias.


Conclusão: Espectadores no Próprio Quintal


Não podemos fazer nada a respeito da Venezuela — ou de qualquer outra crise regional que contrarie os interesses do Norte, porque, na era da Guerra Híbrida, não temos as armas. Trocamos nossa soberania pela conveniência de usar o Google e o Windows.


Enquanto o Brasil não desenvolver sua própria indústria de semicondutores, sua própria nuvem soberana e rotas de dados independentes (como cabos diretos para a Europa ou África, sem passar pelos EUA), seremos apenas um vassalo digital: um país que pede permissão ao algoritmo estrangeiro até para existir.

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