Em um mundo onde a tecnologia avança mais rápido que nossa capacidade de entendê-la, surge a Manus AI, uma inteligência artificial chinesa que promete ser o “primeiro agente geral” do planeta.
Desenvolvida pela Butterfly Effect, ela não é só um chatbot que responde perguntas – é um “funcionário digital” que planeja, pesquisa, codifica e entrega resultados sem precisar de ordens constantes. Para alguém como eu, estudante de Defesa Cibernética e obcecado por cibersegurança, a Manus é fascinante… e assustadora. Será que ela é o fim das carreiras em TI e segurança digital? Ou apenas o começo de algo maior? Vamos mergulhar nesse futuro cyberpunk, para descobrir.
O que chama atenção: Manus como um “funcionário digital” que age sozinho

Manus
Imagine pedir a uma IA: “Crie um relatório sobre ransomware em 2025.” Em vez de esperar que você diga “agora pesquise isso” ou “agora faça uma tabela”, a Manus toma as rédeas. Ela navega na web, coleta dados, organiza planilhas, escreve textos e até gera gráficos, tudo sozinha. É como contratar um estagiário brilhante que não precisa de supervisão.
Essa autonomia é o que faz a Manus brilhar. Diferente de IA´s como ChatGPT, que dependem de prompts detalhados, ela age como um “agente autônomo”, recebendo uma tarefa ampla e executando do começo ao fim. Para cibersegurança, isso significa que ela pode varrer redes por vulnerabilidades, analisar logs ou até simular ataques, tudo enquanto você toma um café. Mas como ela faz isso? É aí que entra a mágica.
Como funciona a “mágica” de não precisar de prompts?
A Manus não é uma IA qualquer – é um “sistema multiagente”, uma espécie de equipe digital onde cada “membro” tem uma especialidade. Um subagente pesquisa na web, outro escreve código, outro analisa dados, e um “chefe” coordena tudo. Essa arquitetura usa modelos poderosos, como o Claude 3.5 Sonnet da Anthropic e o Qwen da Alibaba, ajustados para trabalhar em conjunto.
O segredo está no loop de execução:
- Entende o objetivo: Você diz “desenvolva um site sobre cibersegurança”.
- Planeja: Divide a tarefa em passos (ex.: pesquisar tendências, escrever HTML, hospedar o site).
- Executa: Navega na web, codifica, testa – tudo em um ambiente Linux virtual chamado “Manus’s Computer”.
- Corrige: Revisa o progresso e ajusta erros.
- Entrega: Te dá um site funcional, com URL pública e tudo.
Você pode até assistir o processo em tempo real, como se a IA estivesse te mostrando sua tela. É quase como ter um colega de trabalho que pensa e age sozinho, mas sem pausas para o café.
3. Por que isso é revolucionário (e polêmico)?
A Manus é um salto na direção da inteligência artificial geral (AGI), onde máquinas não só seguem ordens, mas pensam como humanos. Em cibersegurança, ela pode:
- Automatizar análises: Cruzar bases de vulnerabilidades (como CVE) com sistemas-alvo e sugerir defesas.
- Acelerar respostas: Identificar IOCs (Indicadores de Comprometimento) em logs e propor ações, como isolar servidores.
- Facilitar pentesters: Executar varreduras e gerar relatórios, deixando humanos focarem em exploração manual.
Testes do MIT Technology Review mostraram que ela supera o ChatGPT DeepResearch em algumas tarefas, como criar dashboards interativos. Mas nem tudo são flores. A autonomia da Manus também é polêmica:
- Riscos éticos: Ela pode gerenciar contas de redes sociais em tempo real, o que abre portas para campanhas de desinformação ou phishing em massa.
- Segurança: Operando na nuvem, não está claro onde os dados são armazenados ou como são protegidos.
- Erros: Em fase beta, ela ainda faz suposições erradas, como confundir “área externa” com “terraço” em buscas, exigindo ajustes humanos.
Por que parece o “fim” da carreira?
Quando vi a Manus pela primeira vez, confesso: bateu um frio na barriga. Se ela faz varreduras, relatórios e até scripts sozinha, pra que precisam de mim, um estudante de cibersegurança? A automação é rápida, barata (US$2 por tarefa, contra US$20 do DeepResearch) e acessível. Empresas podem reduzir equipes júnior, e manchetes sensacionalistas reforçam o medo: “IA vai matar os empregos de TI.”
Em um mundo cada vez mais cyberpunk, onde corporações dominam e máquinas tomam conta, é fácil imaginar um futuro onde analistas viram obsoletos. Esse niilismo tecnológico é tentador, mas a história não acaba aí.
Por que não é o fim?
Respira fundo: a Manus não é o apocalipse da cibersegurança. Pelo contrário, ela é um chamado para evoluir. Aqui vão os motivos:
- Ferramenta, não chefe: A Manus comete erros e precisa de humanos para definir metas, validar resultados e lidar com ataques únicos, como ransomwares customizados. Minha prática com YARA e Snort, por exemplo, ainda é essencial.
- Novas funções: IAs criam demandas, como proteger sistemas como a Manus contra hackers ou desenvolver defesas baseadas em IA. Meu projeto de antivírus pode usar a Manus para simular ataques, mas sou eu quem cria a solução.
- Gato e rato: Hackers também usarão IA, o que aumenta a necessidade de defensores criativos. A Cybersecurity Ventures prevê 3,5 milhões de vagas em cibersegurança até 2030 – o mercado está quente!
- Toque humano: Decisões éticas, como lidar com vazamentos, exigem empatia. Algo humano que a máquina não tem ainda.
Pensa assim: emum mundo em que a tecnologia domina, mas são os humanos – com suas falhas e propósitos – que dão sentido à luta. A Manus é uma aliada, não uma substituta. Posso usá-la para automatizar varreduras e focar em pentest manual, no meu blog ou até em reflexões filosóficas pro Códigos Filosóficos.
O futuro é nosso
A Manus AI é um espelho do nosso tempo: poderosa, imperfeita e cheia de possibilidades. Ela não é o fim da cibersegurança, mas um convite pra nos reinventarmos. Como estudante, vejo nela uma chance de aprender mais rápido, criar soluções inovadoras e questionar o que significa ser humano em um mundo de máquinas. Como diria Nietzsche, “o que não me mata me torna mais forte” – e, no caso da Manus, mais esperto.
Quer testar esse futuro? Tente o OpenManus, uma versão open-source da ferramenta, ou mergulhe em CTFs pra provar que humanos ainda mandam. E, se o niilismo bater, lembra: o sentido não está na tecnologia, mas no que fazemos com ela.
Escrito por Matheus, um estudante de cibersegurança que mistura código, filosofia e um pouco de caos cyberpunk no blog Códigos Filosóficos.